V Colóquio Internacional de Poesia – O Simbolismo, As Artes | V Colloque International de Poésie – Le Symbolisme, Les Arts

1867-1917 – Cinquenta anos de Simbolismo

A quinta edição do Colóquio Internacional de Poesia, organizado pelo grupo de Pesquisas Poética e Escritas da Modernidade (Poem) e pelo Laboratório de Estudos de Poéticas e Éticas na Modernidade (LEPEM), em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), apresenta como tema O Simbolismo, As Artes. O evento terá lugar na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), sede do Poem e do LEPEM, nos dias 1, 2, 3 e 4 de agosto de 2017, em uma homenagem àquela que talvez tenha sido a primeira poética da modernidade.

Há 160 anos, em 1857, Charles Baudelaire publicava As Flores do Mal, obra poética considerada o grande marco da modernidade. Em seus poemas, Baudelaire abordou temas até então rejeitados pela poesia lírica, abrindo possibilidades para novas formas de fazer poético. Em 1867, dez anos depois, o poeta nos deixava; nesse mesmo ano, nasciam três grandes figuras da literatura simbolista-decadentista portuguesa: Camilo Pessanha, António Nobre e Raul Brandão, este último é autor do romance Húmus, publicado 50 anos depois, em 1917, obra que repensaria a forma romance, na esteira dos esforços de J.-K. Huysmans, Georges Rodenbach e outros prosadores do fim de século.

Entre estes dois grandes marcos – 1857 e 1917 – floresceu o movimento simbolista, a princípio na capital francesa, logo se espalhando pelos outros países da Europa e pelo resto do Mundo, e encontrando na Bélgica, em Portugal e no Brasil solos particularmente férteis, ainda que o nome em si só viesse a ser difundido em 1886, com o advento do Manifesto Literário, escrito por Jean Moréas e publicado no jornal Figaro. Nesse ano também foram criados diversos periódicos importantes para o movimento, como La Décadence, Le Symboliste, Le Décadent, La Wallonie, entre outros. No entanto, apesar da importância desta data, entende-se que muito antes de o nome ser sugerido, as mudanças estético-temático-formais propostas pelo grupo de poetas e artistas que lia Baudelaire e se reunia em torno de figuras como Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, e, sobretudo, de Stéphane Mallarmé, nas célebres reuniões às terças-feiras em seu apartamento da Rue de Rome, em Paris, podem ser verificadas em obras bastante anteriores.

Em Portugal, o simbolismo chegou logo depois do Manifesto de Moréas, com o advento das revistas Bohemia Nova e Insubmissos, em 1889, organizadas por jovens estudantes de Coimbra, logo seguidas pela publicação da obra Oaristos, de Eugénio de Castro, em 1890, data que marca, oficialmente, o início daquela poética. No Brasil, Medeiros e Albuquerque publicava suas Canções da Decadência no mesmo ano em que os periódicos lusitanos ganhavam vida. É, contudo, em 1893, com Broquéis e Missal, ambos de João da Cruz e Sousa, que se considera o simbolismo realmente instaurado em território brasileiro.

Para além da poesia, o movimento se fez presente na prosa, com a publicação de romances que questionavam o efeito mimético buscado até então por realistas e naturalistas, propondo o apagamento das fronteiras entre os gêneros e novas formas de se pensar narrativas. Efeito semelhante se deu no teatro, com autores como Maurice Maeterlinck, Villiers de L´Isle-Adam, António Patrício e outros.

Uma das prerrogativas da poética residia também no diálogo interartístico, seja por meio da potencialização sonora ou plástica do texto literário, seja pelo efeito ecfrástico de se reconstruir em palavras uma obra artística. Obviamente, também se observou o efeito inverso, quando poemas passaram a ser musicados por compositores como Claude Debussy e pintores se dedicaram a ilustrar poemas simbolistas, como ocorreu com A tarde de um fauno, de Mallarmé, que recebeu belos desenhos de Édouard Manet e adaptações em orquestra, por Debussy, e teatral, por Vaslav Nijinsky. Nas artes plásticas, pintores como Gustave Moreau e Odilon Redon, na França, Fernand Khnopff e Jean Delville, na Bélgica, António Carneiro, em Portugal, ou ainda Eliseu Visconti, no Brasil, buscaram uma identidade artística própria.

Por fim, importa ainda dizer que os escritores e artistas simbolistas foram muito importantes para a literatura e a arte moderna do século XX, tendo sido lidos, comentados e admirados por autores como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, André Breton, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira, dentre tantos outros, que dialogaram com o período finissecular em diversas de suas obras.

Diante desse contexto, o V Colóquio Internacional de Poesia convida a todos os pesquisadores interessados na literatura e na arte simbolistas a pensarem questões em torno das produções realizadas neste período, tendo os eixos temáticos abaixo como norteadores:

  • O Simbolismo Português:  Camilo Pessanha, António Nobre e Raul Brandão;
  • Charles Baudelaire e o Simbolismo;
  • Relações interartísticas finisseculares;
  • O simbolismo e(m) outras artes: pintura, música, escultura, teatro, etc.;
  • Diálogos em torno dos simbolismos de língua francesa e portuguesa: França, Bélgica, Portugal e Brasil;
  • Manifestações simbolistas em outros contextos, línguas, países e continentes: Rússia, Grécia, Escócia, Suíça, Lituânia, Itália, Peru, etc.;
  • Ecos do simbolismo nas literaturas moderna e contemporânea;
  • A recepção do simbolismo: do fim de século à atualidade;
  • Aspectos estético-temático-formais do movimento;
  • Considerações em torno do Decadentismo;
  • Modernidade, Simbolismo e Vanguardas;
  • Simbolismo, Decadentismo e Modernismo;
  • Periódicos Simbolistas;
  • Etc.

Outras relações, dentro da temática do evento, podem ser sugeridas. As inscrições devem ser feitas através do formulário online.


1867-1917 – Cinquante années de Symbolisme

La cinquième édition du Colloque International de Poésie, organisée par le groupe de Recherche Poétique et Écritures de la Modernité (Poem), par le Laboratoire d’Études de Poétiques et Éthiques dans la Modernité (LEPEM), en partenariat avec la Faculté de Lettres de l’Université de Lisbonne (FLUL), présente Le Symbolisme, Les Arts. L’événement aura lieu à la Faculté de Philosophie, Lettres et Sciences Humaines (FFLCH), de l’Université de Sao Paulo (USP), du 1er au 4 août 2017, en hommage à celle qui peut-être ait été la première poétique de la modernité.

Il y a 160 ans, en 1857, Charles Baudelaire publiait Les Fleurs du Mal, œuvre considérée comme un tournant de la poésie moderne. Baudelaire y des poèmes qui conjuguent le mal et le beau, tout en ouvrant de nouvelles formes de faire poétique. En 1867, dix ans plus tard, malheureusement, le poète décédait. En cette même année, trois grandes figures de la littérature symboliste-décadente portugaise sont nées : Camilo Pessanha, António Nobre et Raul Brandão. Ce dernier est l’auteur du roman Húmus, publié cinquante ans plus tard, en 1917, une œuvre qui repenserait la forme du roman, dans le même chemin des efforts de J.-K. Huysmans, Georges Rodenbach, et d’autres prosateurs de la fin du XIXe siècle.

Entre ces deux importants moments – 1857 et 1917 – le mouvement symboliste a fleuri, d’abord dans la capitale française, se développant ensuite rapidement dans d’autres pays de l’Europe et du Monde, et rencontrant bon sol en Belgique, au Portugal et au Brésil, bien que le nom en soi ne se diffusât qu’après 1886, avec l’avènement du Manifeste Littéraire, écrit par Jean Moréas et publié dans le journal Figaro. En cette même année, plusieurs périodiques importants pour le symbolisme ont été créés, comme La Décadence, Le Symboliste, Le Décadent, La Wallonie, parmi d’autres. Cependant, malgré l’importance de cette date, on le sait que bien avant cela, d’importants changements esthétiques, thématiques et formels étaient promus par le groupe de poètes et artistes que lisait Baudelaire et se revendiquait de figures comme Paul Verlaine et Arthur Rimbaud, et, surtout, Stéphane Mallarmé et ses célèbres soirées des mardis de la Rue de Rome.

Au Portugal, le symbolisme est arrivé un peu après la publication du Manifeste de Moréas, avec les revues Bohemia Nova et Insubmissos, en 1889, organisées par un groupe de jeunes étudiants de Coimbra, suivies par la parution d’Oaristos, d’Eugénio de Castro, en 1890, date qui marque, officiellement, le début du mouvement au Portugal. Au Brésil, Medeiros e Albuquerque publiait ses Canções da Decadência la même année où les périodiques lusitains gagnaient vie. Ce n’est toutefois qu’en 1893, avec la parution de Broquéis et Missal, de João da Cruz e Sousa, que l’on peut considérer que le symbolisme est réellement implanté en territoire brésilien.

À part la poésie, le mouvement évolue aussi dans la prose, avec la publication de romans qui questionnaient la réalité mimétique des réalistes et des naturalistes, en proposant l’effacement des frontières entre les genres et de nouvelles formes de penser le récit. Un effet semblable peut être constaté dans le théâtre de Maurice Maeterlinck, Villiers de L’Isle-Adam, António Patrício et d’autres.

L’une des caractéristiques de cette poétique consista à établir des dialogues interartistiques, soit par la valorisation sonore ou plastique du texte littéraire, soit par l’effet de l’ecphrasis de récréer en mots une œuvre artistique. Parallèlement de nombreux poèmes ont été mis en musique par des compositeurs comme Claude Debussy, et des peintres se sont inspirés des poèmes symbolistes. C’est le cas de L’après-midi d’un faune, de Mallarmé, illustré par Édouard Manet et objet d’adaptations musicales, par Debussy, et chorégraphiques par Vaslav Nijinsky. Dans les arts plastiques, des peintres comme Gustave Moreau et Odilon Redon, en France, Fernand Khnopff et Jean Delville, en Belgique, António Carneiro, au Portugal, ou encore Eliseu Visconti, au Brésil, ont donné une nouvelle identité artistique lié au mouvement.

Enfin, il est important de dire encore que les écrivains et les artistes symbolistes ont été vraiment importants pour la littérature et l’art modernes du XIX siècle, ayant été lus, commentés et relayés par des auteurs tels comme Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, André Breton, Apollinaire, Carlos Drummond de Andrade.

Dans ce contexte, le V Colloque International de Poésie invite tous les chercheurs qui s’intéressent aux questions concernant la littérature et les arts symbolistes à se pencher sur les axes suivants (non exclusifs) :

  • Le Symbolisme portugais : Camilo Pessanha, António Nobre et Raul Brandão;
  • Charles Baudelaire et le Symbolisme ;
  • Rapports interartistiques à la fin du XIXe siècle ;
  • Le Symbolisme et (dans) les autres arts : peinture, musique, sculpture, danse, théâtre ;
  • Dialogues entre les symbolismes de langue française et portugaise : France, Belgique, Portugal et Brésil ;
  • Manifestations symbolistes en d’autres contextes, langues, pays et continents : Russie, Grèce, Écosse, Suisse, Lituanie, Italie, Pérou, etc. ;
  • Echos du symbolisme dans les littératures moderne et contemporaine ;
  • La réception du symbolisme : de la fin de siècle à nos jours ;
  • Aspects esthétique-thématique-formels du mouvement ;
  • Symbolisme, Décadentisme et Modernisme ;
  • Modernité, Symbolisme et Avant-gardes ;
  • Les revues symbolistes ;

Les inscriptions doivent être faites à travers du formulaire en ligne.

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